Os oportunistas de plantão não perdem tempo. Bastou surgir mais uma narrativa envolvendo o nome Bolsonaro para começar a corrida pela “lacração” nas redes sociais, especialmente daqueles que construíram a própria carreira política sem entregar praticamente nada de relevante ao povo pernambucano.

E entre os nomes que rapidamente apareceram tentando explorar politicamente o assunto está Marília Arraes.

Figura conhecida da política tradicional pernambucana, Marília já ocupou cargos como vereadora do Recife e deputada federal. Ainda assim, permanece uma pergunta simples que muitos pernambucanos fazem até hoje: qual foi, na prática, a grande transformação que ela proporcionou a Pernambuco?

Porque discurso inflamado em rede social, ataque calculado à oposição e marketing político permanente nunca faltaram.

O curioso é assistir setores da velha política tentando posar agora como guardiões da moralidade pública enquanto passaram anos sobrevivendo exclusivamente da estrutura estatal, dos cargos públicos e da política profissional.

Mais curioso ainda é ver críticas histéricas sobre uma tentativa de financiamento privado para um filme, quando o próprio Banco Master também participou do financiamento de produções ligadas a outras figuras políticas nacionais, diga-se de passagem, como Lula e Michel Temer — sem que isso tenha provocado qualquer escândalo seletivo, manchete alarmista ou indignação militante por parte da imprensa e da esquerda.

A verdade é simples: quando envolve Bolsonaro, tentam transformar qualquer fato em crise política nacional.

E isso revela muito sobre o atual cenário brasileiro.

O contato entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro ocorreu em 2024, período em que o empresário circulava livremente entre empresários, parlamentares, ministros e representantes dos mais diversos setores da República. Era tratado com respeito institucional e prestígio no meio político e financeiro. Não existia o discurso moralista que agora alguns tentam reconstruir retroativamente por conveniência narrativa.

Ou seja: querem criminalizar hoje relações que, ontem, eram consideradas absolutamente normais dentro do ambiente político e empresarial de Brasília.

Esse tipo de seletividade não combate corrupção. Combate adversários políticos.

Pernambuco merece um debate mais sério e menos teatral. O povo está cansado de políticos que aparecem apenas para viralizar frase pronta enquanto o Estado continua afundado em problemas reais.

Chega de política baseada em indignação seletiva, marketing e militância digital.

Quem deseja representar Pernambuco no Senado deveria apresentar soluções, propostas e resultados — não apenas explorar manchetes para ganhar curtidas e espaço na imprensa.